
Em resposta: “Você escuta muita música atual?”, numa entrevista de Roberto Nascimento do Estado de São Paulo.

Filha de Edgar Poças, maestro e compositor responsável pelos arranjos musicais do Balão Mágico. Nascida em Abril de 1980, decidiu seguir carreira musical aos 15, já trabalhou com jingles publicitários assim como Tiê (dona de uma das novas vozes brasileiras mais gostosas dos últimos anos), já tocou com o mestre Herby Hancock e tem em Fela Kuti uma de suas influências alfa. Esse pode ser um prenúncio de um gozo ou um sinal de dor para apresentar e despreconceituar Maria do Céu Whitaker Poças, vulgo: Céu.
O sinal de dor é o fato de comumente conhecê-la como dona daquele hit mela cueca e cansativo que foi trilha de novela da Globo (Pé na Jaca), chamado: “A Lenda”. Esse hit anajulianesco encheu o saco de muita gente, e nisso eu me incluo. Pra ajudar, “Malemolência”, seu outro hit à la “Só love, só love”, estampou Beleza Pura, outra podridão novelesca da mesma emissora alienante. Essa exposição rendeu a ela na Bilboard: o primeiro lugar em Artista Revelação e World Music, além de figurar em 57º entre as Top 100 do momento; feito esse apenas conseguido por outra artista brasileira: Astrud Gilberto em 1963 com Garota de Ipanema. Claro, pra quem imagina a música como produto assim como o comerciante musical Nando Reis, isso é uma mídia espontânea e tanto. Outrora, depois desse trauma de tocar até em padaria de esquina, eis que surge boa música no amadurecimento musical do artista após a explosão midiática e o espaço para criar devido ao “esquecimento”. Este sim, é o prenúncio de gozo.
Seu último trabalho, Vagarosa de 2009, é um trabalho incrível que indica um amadurecimento para a nossa Céu. Com uma musicalidade envolvendo samba, downtempo, jazz, soul e afrobeat, a morena, que um dia já trabalhou de faxineira em Nova Iorque, nos mostra um molejo intimista, um samba da caixa preta com a primavera nos dentes e um bem me quer atencioso.
Da menina que jogava quebrantes em sapos e príncipes e, sofria de dores por meninos bonitos (ai), Maria Whitaker vem demonstrando qualidade e bom gosto, fazendo descer macio e reanimando ouvidos que gostam de boa música. A mocinha que só queria o olhar transformou-se numa mulher que já não fica calada no conforto e acomodada como tantos por aí.